Porque os horários do curso de Bacharelado em Música Popular não foram divulgados ainda?

Agora cedo sentei na frente do computador para escrever um artigo que está com o prazo vencendo, e deparei com o seguinte e-mail, que uma aluna mandou para mim (sou coordenador do curso mencionado no título do post), com cópia para alguns professores, direção da faculdade e todos os setores administrativos. O nome da aluna foi preservado na transcrição abaixo. Transcrevo também minha resposta, porque acho útil que seja de conhecimento público.

Olá Professor André Egg, Diretora Stela Maris e demais,

Tudo bem?

Gostaria de saber quando irão sair os horários das aulas neste ano.

Não são poucos os alunos matriculados na FAP que trabalham, e na área da música existe mais oportunidade no período da tarde e noite ( escolas infantis/contra-turno de escolas/ escolas de música)…

Mas se esperamos até metade de março para os horários acadêmicos se estabilizarem, acabaremos por perder estas oportunidades.

Do carnaval até o início das aulas ainda teremos um mês, e, embora a semana pedagógica já tenha sido, temo que essas definições se arrastem até final de março.

Lembro que o índice de evasão acadêmica no curso de Bacharelado em Música Popular é altíssimo (basta contar os formandos na formatura que acontecerá esta semana), e que a dificuldade de conciliação de horários de trabalho/estudo têm se mostrado como um dos principais empecilhos para a continuidade nos estudos.

Também chamo a atenção para o baixo número de inscritos no vestibular, reflexo de uma desorganização de ordem interna da FAP.

Então peço que organizem a grade curricular o quanto antes para que possamos tornar viável este curso (que é composto por alunos que são também trabalhadores, pais, mães, maridos, esposas…), enfim, para todos os que nele ingressarem.

Mas o que eu tinha para reivindicar neste e-mail era isto,

espero resposta o mais rápido possível,

e agradeço a oportunidade de contato.

Cordiais saudações,

Minha resposta foi a seguinte (só para o e-mail da aluna). Esqueci de tratar do assunto vestibular, mas este é um outro capítulo, e um assunto que não me diz respeito como coordenador de curso.

Oi Fulana*,

agradeço seu empenho carnavalesco, e as informações úteis sobre causas da evasão escolar.

Quanto aos horários, o que posso te dizer é o seguinte:

Fechamos um horário prévio em dezembro na reunião de colegiado do curso, mas a confirmação dele ainda dependia dos vários professores de outros colegiados que ministram aula com a gente. No momento atual terminamos estes ajustes dos horários dos professores, mas ainda será necessário ajustar o horário à disponibilidade de salas, o que envolve os diversos cursos que disputam o parco espaço disponível na FAP. Especialmente a Sala 3 e a Sala 5, que são exclusivas e necessárias para algumas disciplinas de música que existem no Bacharelado e na Licenciatura. Todos os horários que vão sendo definidos são encaminhados a todos os participantes das reuniões de Colegiado, inclusive o representante discente, que tem a incumbência de discutir isso com os alunos, levar as informações a vocês e trazer as reivindicações de vocês para a composição dos horários assim como de qualquer outro assunto referente ao curso – o que não impede que todos os alunos comuniquem questões ou apresentem reivindicações por quaisquer outros canais, inclusive este e-mail do coordenador.

Quanto à questão da definição dos horários para ajuste das atividades profissionais: a FAP não tem como assumir este compromisso dos alunos. O horário é definido levando em conta diversos fatores, e o curso de Música Popular até hoje não tem todos os professores necessários para seu funcionamento pleno. Lembre que ano passado tivemos mudança de horário em agosto, afinal, tivemos professor novo entrando, professor com contrato vencido saindo, aposentadoria, etc. Neste caso, sugiro que você escreva o próximo e-mail com cópia anexada para o governador do estado, o secretário de Ensino Superior, Ciência e Tecnologia, o secretário de Administração Pública, o secretário de Finanças, o Ministério Público, etc.

Na verdade, o curso tem definido desde sempre o horário das 13:30 às 18:50, de segunda à sexta. Se alguém quer trabalhar dentro destes horários, é por sua conta e risco, e deve levar em conta que está tomando decisão deliberada de prejudicar os próprios estudos.

Eu sei da alta evasão do nosso curso, mas ela não é pior que o cenário geral do Ensino Superior brasileiro. Você já fez outro curso, e sabe do que estou falando. Quanto a isso gostaria que você soubesse que temos estudos e ações que visam mitigar este problema. As causas são várias, e as ações que fazemos também. Mas nenhuma delas será capaz de resolver o problema da dupla jornada (trabalho e estudo simultâneos) que é um problema que não existe em diversos países de alto nível educacional e desenvolvimento econômico. Nos países do chamado primeiro mundo o estudo é uma atividade de dedicação exclusiva, e o trabalho só começa depois de sua conclusão. Se você está incomodada com este estado de coisas no Brasil, está da hora de os estudantes lutarem por políticas de permanência, como bolsas de estudo, restaurantes universitários e alojamentos estudantis (os restaurantes universitários devem ser viabilizados na UNESPAR em breve, inclusive por que o movimento estudantil se organizou para reivindicar isso). Neste caso, você deve encaminhar o e-mail com cópia para as autoridades estaduais mencionadas anteriormente, mas também à Presidência da República, Ministério da Educação e Ministério da Fazenda.

Espero que minha resposta tenha sido rápida o suficiente.

Saudações,