A estreia da Orquestra Infantil Alegro

No último dia 1º de setembro deste 2019, domingo passado, aconteceu na sede do antigo Clube Concórdia, em Curitiba, a estreia da Orquestra Infantil Alegro.

A Orquestra Infantil Alegro é a mais nova realização da Associação Musical Alegro, uma entidade que está fazendo um trabalho importantíssimo em Curitiba, embora isso seja pouco conhecido.

Eu soube da Alegro depois que escrevi para o jornal Plural um texto sobre concerto da Orquestra Sinfônica do Paraná. Por causa deste texto, recebi o contato do Edward Matkin, me propondo conhecer o trabalho da Associação.

Associação Musical Alegro

Eu nunca tinha ouvido falar da Alegro, nem do Edward. Ele sabe que eu até estranhei quando ele entrou em contato. Depois de algumas explicações por email, marcamos uma conversa. E o que percebi foi que o trabalho do Edward e o que a Alegro está desenvolvendo são coisas fantásticas.

Dá pra saber muito sobre a Alegro no sítio que eles mantém na internet. Dá pra acompanhar também por redes sociais, como seus perfis no Instagram e no Facebook.

Basicamente, a Alegro foi criada para fomentar o desenvolvimento de um sistema de orquestras jovens no Paraná, semelhante e/ou inspirado em outros projetos de sucesso no Brasil como o Neojibá.

A Orquestra Jovem Alegro

A iniciativa que a Associação Musical Alegro já vem desenvolvendo e estruturando há mais tempo é a Orquestra Jovem. É uma orquestra destinada a jovens músicos de até 29 anos, que se propõe a ser um espaço de formação de alto nível profissional.

A Orquestra Jovem Alegro realizará este ano, em novembro, seu 2º Festival. Quem ler este post hoje ainda pode conseguir se inscrever – é o último dia do prazo. O Festival está selecionando bolsistas. A programação a ser realizada é uma espécie de Oficina de Música, voltada para músicos de orquestra. Há vagas limitadas por instrumento. Mais informações no site.

Projetos apoiados pela Alegro

Formar uma orquestra jovem não é uma tarefa simples, e não é coisa para se fazer sozinho. Ainda bem que Edward Matkin trouxe ao Brasil sua experiência e disposição para o trabalho associativo. É uma coisa que ainda não sabemos fazer direito nesse país, e podemos aprender muito com a tradição dos países de língua inglesa. Para realizar grandes coisas, é preciso conquistar muitos apoios.

Assim, a Alegro tem uma equipe forte de apoiadores. Entre os mais conhecidos do nosso meio musical estão o engenheiro de som Bruno Haller, o percussionista Leonardo Gorosito, a maestrina Helma Haller, a professora Ingrid Serafim.

Além disso, a Alegro percebeu que uma maneira de fortalecer seu trabalho era se associar com projetos que já estão funcionando muito bem na formação de crianças e jovens com a música. Os principais projetos apoiados pela Alegro são o Núcleo de Música da Associação São Roque (Piraquara-PR), o Projeto Música no Bairro do Projeto Dorcas (Almirante Tamandaré-PR) e a Filarmônica Antoninense.

Em cada um desses projetos a Alegro desenvolveu parcerias e colaboração, como mobilizar recursos de patrocinadores para compra de instrumentos musicais e pagamento de professores. O vínculo é tão estreito que a diretoria da Alegro conta com a participação de duas professores que coordenam esses projetos: Ana Cristina Lago e Renate Weiland.

Ana Cristian Lago é regente do Coral Gato na Tuba, da Associação São Roque. No projeto desenvolvido em Piraquara, formou-se uma orquestra de cordas dirigida pelo professor Shante Antunes Cabral. Tem informações sobre o Núcleo de Música na página da Associação São Roque.

Renate Weiland coordena o núcleo de ensino de música mantido pelo Projeto Dorcas em Almirante Tamandaré. Ela iniciou o programa de educação musical e aprendizado de Flauta Doce. Mais recentemente o projeto também formou o Coro de Metais, dirigido pelo professor Tadeu Malaquias. Algumas informações estão na página do Projeto Dorcas.

O concerto

Precisei de toda essa longa explicação antes de falar do concerto de estreia da Orquestra Infantil Alegro, que aconteceu dia 1º de setembro no Clube Concórdia. Porque foi muito mais do que o concerto de uma orquestra.

Como o evento foi organizado pela Associação Alegro, seu colaborador – o professor Leonardo Gorosito – trabalhou como apresentador na programação. Gorosito ficou ao microfone explicando para nós da audiência cada projeto, e entrevistando os maestros e professores que participaram da apresentação.

O evento teve vários participantes, todos vinculados com a Alegro e apoiados pela Associação. A Orquestra Infantil foi apenas o último e sublime momento musical do evento.

A apresentação começou o Grupo Além do Arco-íris, coordenado pela professora Ellen Carolina Ott. O grupo é formado por músicos com deficiência visual, e faz parte do projeto Musicart, da UTFPR.

Orquestra de Cordas Gato na Tuba

Em seguida assistimos à Orquestra Gato na Tuba, dirigida pelo maestro Shante Antunes Cabral. É uma orquestra de crianças e adolescentes, mantida pela Associação São Roque. Antes de ouvirmos a apresentação do conjunto, Leonardo Gorosito “entrevistou” a professora Ana Cristina Lago, que explicou sobre o projeto. Sua fala destacou a preocupação em fazer tudo com alta qualidade (como na compra dos instrumentos) e alto nível técnico (como no trabalho dos professores).

Essa qualidade e esse alto nível técnico ficaram evidentes quando ouvimos o grupo se apresentando. A primeira peça que tocaram foi identificada no programa como Coral nº 23 de Bach. Na verdade trata-se de um tradicional hino cristão cuja melodia foi usada por muitos compositores. Bach a empregou em trechos da Paixão Segundo São Mateus e também na Cantata BWV 159. Em português o hino é conhecido pela primeira frase da tradução: “Ó fronte ensanguentada”. Nesta versão, adaptada para Orquestra de Cordas, desde o primeiro acorde pudemos ficar com a certeza de que seria uma grande tarde.

A orquestra revelou um som puro, equilibrado, consistente. A afinação era perfeita. Os olhos pareciam estar nos enganando, por víamos músicos de tão pouca idade no palco e ouvíamos um som que revelava um trabalho musicalmente tão amadurecido.

A Orquestra de Cordas seguiu o programa e nos apresentou Festa na roça de José Eduardo Gramani, Dança dos meninos de Marco Antonio Guimarães e a Valsa nº 2 de Shostakovich. A gente ia ouvindo essas peças e ficando entusiasmado, porque são obras clássicas, bem escritas, trabalhadas a partir de compositores que conheciam e dominavam a harmonia e o equilíbrio dos instrumentos.

Mas já ia dando um pouco de medo, porque a gente via no programa que logo a orquestra tocaria Michael Jackson e Coldplay. É o tipo de coisa que pode dar muito errado, fazer adaptações de música pop para uma orquestra de cordas. E não faltam exemplos de arranjos ruins e execuções sofríveis. Mas foi uma surpresa e tanto, porque as músicas foram adaptadas com maestria para o conjunto de cordas. E soaram ainda melhor do que as peças clássicas, mostrando que isso é parte importante na formação dessas crianças e jovens: aproximar o universo musical dos clássicos e do entretenimento mais acessível comercialmente.

Na verdade os problemas de adaptação das músicas para a formação de orquestra de cordas devem ter sido imensos em todo o programa. Nem a peça de Bach foi escrita originalmente para a formação – ela precisou ser adaptada, tanto quanto a de Michael Jackson. O programa não nos deu essa informação, e ainda não consegui fazer a pesquisa, por isso não sei quem escreveu as partituras que a orquestra tocou. Sobre esse trabalho de transcrição e arranjo fico devendo pra vocês. Com certeza vou escrever mais sobre essa orquestra, então vou conseguir trazer logo mais informações.

O Coro de Metais do Projeto Dorcas

Depois ouvimos a apresentação do Coro de Metais, sob direção do maestro Tadeu Malaquias. Ver os músicos subindo no palco com seus instrumentos nos intrigou: como crianças e adolescentes tão pequenos poderiam tocar instrumentos tão pesados? Pesados no sentido físico de carregar trombones e bombardinos, do fôlego necessário para os instrumentos, da pressão dos lábios e dentes sobre os bocais. Ouvi dizer que para iniciar nestes instrumentos precisa ser um jovem já mais maduro fisicamente, com dentição definitiva, mas o trabalho de Malaquias mostrou que pode-se iniciar muito cedo e chegar logo a um alto nível com estes instrumentos.

Respondendo à pergunta de Leonardo Gorosito, Malaquias explicou que os jovens vêm para o conjunto após aulas de musicalização e flauta doce. Escolhem o instrumento a partir da experimentação, que lhes dá o conforto da melhor adaptação às suas características individuais.

O repertório adequado para esta formação é um problema ainda mais grave que para um conjunto de cordas, pois não é fácil encontrar partituras. Também fiquei sem saber quem fez os arranjos. A parte do programa original para a formação deve ter sido a Fiesta de los bravos de James Swearingen. As outras peças eram adaptações de músicas conhecidas de outras formas culturais: The raising fighting spirit de Toshiro Masuda, tema do anime Naruto; o tema de Piratas do Caribe, de Klaus Badelt e um arranjo de Ana Julia, da banda Los Hermanos.

As crianças do Coro de Metais também demonstraram maturidade musical, som puríssimo e afinado, interpretação segura. Ficamos surpresos com uma música que não estava no programa, e foi anunciada por Leonardo Gorosito: Final countdown, regida pelo maestro Cauê Felipe. Ele era uma das crianças que estava tocando trompete nas outras músicas, e regeu com muita segurança, gestos precisos. Fez muito regente adulto passar vergonha.

Beethoven com a Orquestra Infantil Alegro

Quem tinha assistido o concerto até aqui já estava imaginando que a Orquestra Infantil Alegro viria da junção da Orquestra de Cordas e do Coro de Metais. Com as explicações de Leonardo Gorosito ficamos conhecendo mais um parceiro Alegro que iria colaborar neste concerto.

O maestro Renan Gonçalves trabalha com a Filarmônica Antoninense, outro projeto apoiado pela Alegro. A Filarmônica é um projeto já muito antigo e tradicional na cidade litorânea. Podemos perceber que está ocorrendo um processo de modernização e profissionalização da Filarmônica. Depois de décadas atuando com destaque e formando vários músicos que hoje são profissionais em Curitiba, a Filarmônica agora também atua em parceria com o sistema municipal de ensino. Alunos das Escolas Municipais de Antonina estão aprendendo música através deste projeto.

Mas o Maestro Renan Gonçalves não trouxe seu grupo completo. Apenas alguns músicos cujo nome não cheguei a anotar, como o clarinetista que ajudou a completar o naipe de sopros. O conjunto que ele regeu foi mesmo uma fusão da Orquestra de Cordas e do Coro de Metais, mais alguns músicos que completaram a formação.

Assim, tivemos uma Orquestra Sinfônica quase completa. O suficiente para tocar, com necessárias adaptações para a sua formação, o Finale da Sinfonia nº 5 de Ludwig van Beethoven. Para marcar com fogo a estreia, a peça tinha que ser esta mesma. Página clássica do compositor mais emblemático da música sinfônica moderna – se pensarmos o termo “moderno” como equivalente aos últimos séculos da civilização.

A Orquestra Infantil Alegro fez assim sua estreia. Tocaram Beethoven como “gente grande”. A execução podia ser comparável a uma orquestra de Oficina de Música de Curitiba, que normalmente é formada por músicos muito mais experientes, a maioria já alunos de cursos superiores de música que vêm para os famosos cursos de férias da nossa capital.

estreia da Orquestra Infantil Alegro
Estreia da Orquestra Infantil Alegro no Clube Concordia, com regência do Maestro Renan Gonçalves

Formação musical e formação para a vida

A Orquestra Infantil Alegro surpreende, e muito. Quando somos informados que se trata de uma orquestra de crianças e adolescentes que estudam música em projetos em áreas de vulnerabilidade da Região Metropolitana de Curitiba já nos preparamos para esperar muito menos. O que surpreende é o nível de profissionalismo, a alta qualidade da interpretação musical. A sonoridade orquestral e a interpretação musical. A afinação perfeita.

Eles são apenas crianças e adolescentes, mas já viram descortinar em sua vida a possibilidade de participar de um grupo musical muito sério. Se quiserem, poderão se profissionalizar como músicos. Muito provavelmente a maioria vai desenvolver outras atividades profissionais, para as quais levarão uma experiência cultural riquíssima. O principal efeito colateral será que eles serão profissionais que já se acostumaram com coisa boa: alto esmero técnico. Eles não vão se conformar com pouco. Isso é Alegro.

Meus textos de 2019 – parte 1

Vou indicar aqui os links para os textos que publiquei por este ano, até a data deste post. O que sair depois indico em nova postagem posterior.

Começo por um texto que na verdade foi oficialmente publicado em 2018, mas só ficou disponível pra valer em 2019:

Artigo “Música contemporânea em Curitiba: um ensaio histórico”, publicado no volume 4, número 8 da revista TOM caderno de ensaios UFPR. O volume completo da revista está no link abaixo, e meu artigo começa na p. 14

http://www.proec.ufpr.br/download/cultura/tom/tom8.pdf

Este ano também comecei a colaborar com o novo portal jornalístico Plural. Sou assinante, leitor e entusiasta dessa ótima iniciativa. E colaborador esporádico. Meus textos que já saíram lá:

Aqui neste blog eu tinha dado a notícia da abertura do processo seletivo do novo Mestrado em Música da UNESPAR:

E agora eu escrevi um texto no blog do Grupo de Pesquisa, contando que as aulas estão começando e já temos a primeira turma. Música, Cultura e Sociedade, nome do nosso grupo, é também uma linha de pesquisa do mestrado.

Por enquanto é só isso, mais novidades eu contarei aqui.

Sobre a programação da Camerata – meu primeiro texto no Plural

Quem é de Curitiba já sabe que a escassez de imprensa decente na cidade reduziu bastante com o lançamento do Plural. Eu comecei a colaborar com o site, e meu primeiro texto saiu esses dias. É sobre a programação de 2019 da Camerata Antiqua de Curitiba.

Folheto da programação do ano 2019 – Camerata Antiqua de Curitiba

Quando peguei o folheto com a programação, que saiu recentemente, fui logo fazer uma coisa que já fiz bastante neste blog: comentar a programação, avaliar o conjunto da proposta de trabalho do grupo no ano, indicar as peças e os concertos que acho mais imperdíveis.

Tudo isso está lá, no meu texto para o Plural:

Corra ler!

Se quiser ver os textos que escrevi sobre a programação de anos anteriores, aqui vão os links:

Veja também os últimos concertos da Camerata que comentei aqui no blog:

Abertas as inscrições para o Mestrado em Música da UNESPAR

No fim do ano passado a CAPES divulgou o resultado da avaliação dos novos programas de pós-graduação propostos pelas universidades. Entre as propostas aprovadas na área de Artes/Música, estava o Mestrado em Música da UNESPAR.

Depois da aprovação do programa, os professores formaram o colegiado do PPGMUS/UNESPAR, foi elaborado o edital e, tcharam(!) – as inscrições agora estão abertas.

As informações estão todas no sítio do programa, mas é claro, não custa repetir alguma coisa aqui.

Linhas de pesquisa

Os programas de pós-graduação geralmente são divididos em linhas de pesquisa. O nosso não é diferente, possui duas: Música e Processos Criativos e Música, Cultura e Sociedade.

A descrição das linhas está detalhada no Edital, que vocês devem ler para informações completas. Mas basicamente: Música e Processos Criativos trabalha com temas de performance, percepção e composição; Música, Cultura e Sociedade trabalha com a música como construção sociocultural, principalmente no âmbito da história e da etnografia.

Orientadores

Além das linhas de pesquisa, quando você quer entrar num mestrado, precisará adequar sua proposta de pesquisa aos projetos desenvolvidos pelo orientador ou orientadora que você pretende. No nosso programa, você informa orientador de interesse, mas a inscrição é na linha, e os projetos podem ser distribuídos dentro da linha conforme as vagas.

A lista completa dos orientadores, temas de interesse, email para contato, link para currículo Lattes – está tudo no sítio. Tem também a lista de vagas para cada orientadora e cada orientador no Edital. Vocês devem ler isso.

Mas, pra resumir, a linha Música e Processos Criativos tem 9 orientadoras e orientadores, que podem trabalhar com temas relativos a composição, música eletroacústica, regência, percepção, performance em violão, ensino de música, flauta doce, ensino de música para pessoas com deficiência visual, entre outros.

A linha de Música, Cultura e Sociedade tem 4 professores orientadores. Esses vou colocar o nome aqui porque é a minha linha. Somos eu, prof. André Egg, a professora Ana Paula Peters, o prof. Fabio Poletto e o prof. Allan Oliveira. Nossa linha já vem desenvolvendo atividades em um Grupo de Pesquisa, cujas informações estão neste site.

Nós basicamente trabalhamos com história da música e com etnomusicologia, e os enfoques estão mais no século XX, principalmente música brasileira e música popular, mas também incluindo temas correlatos.

Processo seletivo

É claro que vocês não vão ficar acreditando só em mim e vão olhar o site e ler o edital. Mas basicamente, o processo tem duas etapas: (1) projeto de pesquisa e (2) prova escrita e entrevista. Para alguns orientadores da linha Música e Processos Criativos a entrevista comporta uma demonstração artística, conforme explicado no edital.

Também no edital estão explicados os itens que devem estar no projeto de pesquisa, bem como os critérios de avaliação, limite máximo de palavras (7 mil), entre outras informações.

Ou seja, o que você está esperando? Corre escrever teu projeto.

E depois você pode estudar para a prova, etapa para a qual você será classificado ou classificada após a aprovação no projeto. (Isso mesmo, a avaliação do projeto de pesquisa é uma etapa eliminatória da seleção).

Aí você verá que a prova tem bibliografia indicada, como consta no anexo 2 do edital. Já contei que o edital está neste link?

Pois bem. A linha Música e Processos Criativos tem uma bibliografia mais extensa, não vou repetir aqui. A minha linha, Música, Cultura e Sociedade, indicou 5 textos. Um é o texto do professor Marcos Napolitano que abre o livro Arte e política no Brasil: modernidades. Mais sobre o livro aqui no blog.

Os demais textos são dos seguintes autores: John Blacking, Tiago de Oliveira Pinto, José Geraldo Vinci de Moraes. São textos em português disponíveis online, publicados em revistas acadêmicas. Ainda tem um texto em inglês de Irna Priore e Chris Stover, também disponível online. Confira referências completas e links de acesso no Edital.

Cronograma

O cronograma tem várias etapas e você vai conferir certinho no edital.

Mas já adiantando o mais importante, pra você colocar na agenda: de 15/02 a 15/03 inscrições (não esqueça que é preciso inscrever já com o projeto de pesquisa); de 20 a 22/05 provas; 01 a 05/07 matrículas; 29/07 início das aulas.

O que está esperando?

Manifesto dos professores da Faculdade de Artes do Paraná

MANIFESTO EM FAVOR DA LIBERDADE, DA DEMOCRACIA E DA UNIVERSIDADE PÚBLICA dos professores e professoras da Faculdade de Artes do Paraná – Unespar.

Nós, professoras e professores da FAP/Campus II, entendemos a necessidade urgente de defesa da Universidade enquanto espaço de excelência promotora da liberdade do pensamento do debate, bem como da produção do conhecimento social, humano e artístico. Por isso, manifestamos publicamente nosso repúdio a qualquer projeto político que fira os princípios democráticos fundamentais garantidos por nossa Constituição, assim como refutamos com veemência atitudes contrárias ao princípio da igualdade e da ética humanista que fundamenta o ideal da Educação Superior brasileira. Neste momento de evidente risco de retrocesso às práticas autoritárias, discriminatórias e excludentes tão próprias aos Regimes totalitários, convocamos toda a Comunidade a se unir pela defesa da mais ampla liberdade de ensinar e de aprender, pela liberdade dos nossos modos de existir, seja na escola, na universidade, no campo ou nas ruas. Refutamos a incitação ao ódio e o enaltecimento da violência que vem recentemente nos lançando para fora do território democrático de comprometimento com a construção crítica do pensamento, com o exercício da livre expressão e valorização das alteridades. Como professores e artistas que somos, estamos em defesa do ensino público, onde se possa cultivar a memória social enquanto instrumento vivo de desenvolvimento humano. Por isso nos recusamos a ceder aos discursos que negam nosso passado ditatorial recente, que fazem apologia à tortura e voltam a silenciar a árdua luta empreendida pela conquista de direitos universais para todo cidadão brasileiro. Em defesa de um futuro lúcido, resistimos à ameaça de censura que se avizinha como perspectiva de tempos verdadeiramente sombrios, de estancamento da produção poética e científica enquanto instrumentos de transformação social. A despeito de nossas diferenças individuais, apoiamo-nos na afirmação de uma causa comum e suprapartidária contra a barbárie manifestada pela figura do candidato Jair Bolsonaro, que se isenta ao debate de propostas e se oculta a discutir e esclarecer projetos para o Brasil, promovendo uma prática apolítica fundada na disseminação de mentiras (fake news) e promovendo a cultura do medo. Sem negar a crise do atual sistema político brasileiro, assim como os ataques sofridos por nossas Instituições, reagimos com organização e racionalidade frente a uma conjuntura que solicita escuta, diálogo e propostas voltadas à construção do conhecimento, e não à eliminação do mesmo. Como professores e, acima de tudo, como artistas, desejamos inventar um futuro solidamente construído sobre bases cidadãs, em que todas e todos possam existir e se manifestar livre e luminosamente.

Curitiba, 22 de outubro de 2018

Palestra de lançamento do livro A formação de um compositor sinfônico

Próxima terça, dia 23 de outubro de 2018, farei palestra de lançamento do livro A formação de um compositor sinfônico: Camargo Guarnieri entre o modernismo, o americanismo e a boa vizinhança.

Folder da palestra de lançamento do livro A formação de um compositor sinfônico

O quê

Palestra sobre o livro A formação de um compositor sinfônico: Camargo Guarnieri entre o modernismo, o americanismo e a boa vizinhança, recém publicado pela editora Alameda.

Já aconteceu um evento na sede da editora, em São Paulo, como se pode ver no post que publiquei na ocasião. Neste texto coloquei algumas informações sobre o livro.

Desta vez farei uma palestra sobre o livro, para os alunos da FAP (UNESPAR – Campus de Curitiba II). O tema do livro é assunto das nossas aulas de Música no Brasil II, mas a palestra será aberta, entrada franca, e todos convidados.

Onde e quando?

Como mostrado no folder:

Dia 23 de outubro de 2018, terça-feira, 14:00 horas. No Auditório Antonio Melillo do Campus de Curitiba II da UNESPAR. Rua dos Funcionários 1357, Bloco I, andar térreo.

Livro à venda

Terei alguns poucos exemplares do livro para vender na ocasião.

Mas ele está disponível, também:

no site da editora

na Amazon

na Livraria da Travessa

Também tenho alguns exemplares de outros livros que posso vender no dia, especialmente o Música, cultura e sociedade:

Livro Música, Cultura e Sociedade

 

 

A formação de um compositor sinfônico: lançamento do meu livro

Amanhã, dia 14 de setembro de 2018, estarei em São Paulo para o lançamento do meu livro A formação de um compositor sinfônico: Camargo Guarnieri entre o modernismo, o americanismo e a boa vizinhança.

O livro está sendo publicado pela Editora Alameda e pela FAPESP. Integra a coleção História e Música nas Américas organizada pela professora Tania da Costa Garcia. O lançamento será 18:30 horas, na sede da editora. Rua Treze de Maio 353, Bela Vista, São Paulo.

Capa do livro A formação de um compositor sinfônico

A pesquisa

O livro é resultado de minha tese de doutorado, defendida no programa de História Social da USP, sob orientação do prof. Marcos Napolitano.

A pesquisa consultou documentação no IEB-USP, onde fica o arquivo do compositor. Utilizei principalmente a correspondência, documentação na qual se observa o contato do compositor Camargo Guarnieri com vários interlocutores que foram fundamentais na consolidação de sua carreira e na difusão de sua obra.

Também foram usados livros da época, outros documentos consultados em arquivos como o Acervo Curt Lange na UFMG e a sala Mozart Araújo no CCBB-RJ.

Estrutura do livro

O livro é dividido em 4 partes:

Parte 1 – uma discussão sobre os compositores e a história da música brasileira. Essa primeira parte discute as biografias de Camargo Guarnieri e questões relativas à formação de compositores no Brasil

Parte 2 – Formar-se compositor em São Paulo. Nessa seção, discuto o meio musical de São Paulo, as inovações trazidas pelo movimento modernista e as relações de Camargo Guarnieri com seus professores Lamberto Baldi e Mário de Andrade.

Parte 3 – Extrapolando São Paulo: vida profissional e reputação artística. A terceira parte discute o importante papel das relações que Camargo Guarnieri estabeleceu com iterlocutores fora de São Paulo. São eles Luiz Heitor Correa de Azevedo, no Rio de Janeiro, Curt Lange em Montevidéu e Charles Koechlin em Paris. Na capital francesa Guarnieri teve uma curta residência para estudar com o compositor.

Parte 4 – Entre Brasil e Estados Unidos na década de 1940. Aqui aparece o estudo sobre a inserção de Camargo Guarnieri na política de boa vizinhança, sua viagem aos Estados Unidos e suas relações profissionais e de amizade com Carleton Sprague Smith, Charles Seeger e Aaron Copland.

O estudo abrange o início da profissionalização de Camargo Guarnieri, quando de sua mudança para São Paulo capital em 1923, e acompanha a trajetória do compositor até a estreia de sua Sinfonia nº 1 em 1945.

Convite

Vocês são convidados a aparecerem por lá, haverá um coquetel.

Veja o evento no Facebook.

Modelo de formatação dos trabalhos escritos

Resolvi fazer este modelo de formatação dos trabalhos escritos depois de constatar que perco tempo precioso na correção dos trabalhos fazendo indicações sobre problemas de formatação.

Já tenho um arquivo com recomendações metodológicas, chamado Guia para fichar textos. Agora fiz o que traz indicações de formatação: Modelo de formatação dos trabalhos.

Complementar ao arquivo com o modelo de formatação, fiz imagens explicativas de como fazer a formatação no editor de texto. Estou usando software livre – o Libre Office versão 5 ponto-alguma-coisa. Recomendo este software, por ser gratuito, livre, funcional, etc. Quem prefere usar outros softwares encontrará opções parecidas para acessar as ferramentas de formatação.

Em todas as imagens abaixo pode clicar que amplia:

Imagem 1 – formatação de página

Imagem 2 – formatação de página

Imagem 3 – formatação de parágrafo (cabeçalho)

Imagem 4 – formatação de parágrafo (cabeçalho)

Imagem 5 – formatação de parágrafo (corpo do texto)

Imagem 6 – formatação de parágrafo (corpo do texto)

Planos de ensino e cronogramas das aulas (1º semestre de 2018)

Já começaram as aulas na FAP, digo, Campus de Curitiba II da UNESPAR. E eu coloquei aqui na página alguns arquivos (planos de ensino e cronogramas) referentes às minhas disciplinas.

Disciplinas

Estou ministrando disciplinas anuais, que pertencem às matrizes curriculares anteriores a 2018, e disciplinas semestrais, das novas matrizes que entraram em vigor este ano. Trabalho em dois cursos: Bacharelado em Música Popular, colegiado no qual sou lotado, e Licenciatura em Música.

As disciplinas são:

História da Música Brasileira, disciplina anual, 2º ano de Licenciatura em Música.

História da Música IV, disciplina anual, 4º ano de Bacharelado em Música Popular.

Música no Brasil I, 1º semestre de Bacharelado em Música Popular.

Música no Brasil III, 3º semestre de Bacharelado em Música Popular.

História da Música III, 3º semestre de Bacharelado em Música Popular.

História da Música V, 5º semestre de Bacharelado em Música Popular.

Para todas estas disciplinas, coloquei arquivos em pdf de: plano de ensino e cronograma. No caso das disciplinas anuais tem um cronograma do 1º bimestre. Para as disciplinas semestrais, o cronograma é da disciplina inteira.

Está tudo aqui, na aba “material de aula”.

Recomendações

Nas aulas desta semana estou expondo o plano de ensino para os alunos, explicando o cronograma, as avaliações e seus critérios e falando um pouco sobre a metodologia das aulas e dos pressupostos teóricos da disciplina.

Estou falando, também, sobre procedimentos dos alunos.

Elaborei um slide com regras básicas de sobrevivência. Todo mundo sabe, mas é sempre bom lembrar. Está aqui o arquivo.

Depois lembrei que em 2013 eu tinha feito uma apresentação com recomendações semelhantes, só que mais detalhadas.

Segue:

 

Duas defesas em março

Como orientador, terei minhas primeiras duas defesas em março.

Quem acompanha esta página ou conhece minha trajetória sabe que sou professor colaborador no Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Paraná (PPGHIS-UFPR).

Estou lá desde 2015, participando da linha de pesquisa Arte, Memória e Narrativa. Assumi as primeiras orientandas de mestrado no ingresso de 2016 ao programa.

E agora elas estão prontas para defender as dissertações já finalizadas. Então aqui vai um jabá de orientador orgulhoso.

Luana Hauptman

A primeira banca será dia 09 de março, 14 horas, no prédio do Departamento de História (Rua General Carneiro, 460 – Ed. D. Pedro I), sala Prof. Carlos Antunes, 6º andar.

Luana Hauptman Cardoso de Oliveira irá defender sua dissertação Embates pela arte paranaense: Adalice Araújo entre a crítica jornalística e a direção do Museu de Arte Contemporânea do Paraná (1986 a 1988).

A banca será composta pelos professores Artur Freitas (UNESPAR) e Paulo Reis (DEARTES-UFPR).

Thayla Walzburger Melo

A outra banca será dia 16 de março, 14 horas, no prédio do Departamento de História (Rua General Carneiro, 460 – Ed. D. Pedro I), sala Prof. Carlos Antunes, 6º andar.

Thayla Walzburger Melo irá defender sua dissertação Os sons da dissonância: a arte do protesto nas músicas de Raul Seixas e Secos & Molhados em tempos de autoritarismo (1973-1974).

Os membros da banca serão o prof. Marcos Napolitano (FFLCH-USP) e a profª. Miliandre Garcia de Souza (UEL).

Abertas ao público

As bancas são, como sempre, abertas ao público. Entrada franca, todos são convidados e bem-vindos.

Bancas de defesa de dissertação ou tese são grandes momentos da vida universitária. É quando se pode ver grandes especialistas e pesquisadores experientes discutindo a fundo. Além, claro, de ver a prova de fogo que consagra novos pesquisadores e os inicia na fase profissional da vida acadêmica.

É também um bom momento para se inteirar das pesquisas mais recentes, das descobertas mais novas. Manter-se atualizado com as novas tendências de temas, fontes históricas, correntes teóricas.

Assim, para quem assiste, bancas costumam ser mais interessantes e aprofundadas do que aulas.