Setembro de 2017

Eu sei, eu sei, está tarde demais para fazer um post sobre setembro de 2017 aqui no blog, mas a correria está grande, e é o que tem pra hoje.

UNESPAR

Foi em setembro que finalizamos as discussões preliminares e encaminhamos para a Pró-Reitoria de Ensino de Graduação (PROGRAD-UNESPAR) a versão preliminar dos novos PPC (Projetos Pedagógicos de Curso).

A PROGRAD deverá fazer uma avaliação técnica e os projetos deverão voltar para ajustes finais nos colegiados. Então sobem para apreciação no Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE-UNESPAR). Aprovados ali, serão implantados em 2018.

A elaboração destes projetos rendeu ótimas discussões. Teremos diversas melhorias nos cursos. Algumas bem básicas e normais em universidades, mas que ainda não tínhamos, como disciplinas semestrais e matrícula por disciplinas (acredite, ainda praticamos esse negócio horrendo chamado matrícula seriada).

Mas o melhor de tudo é que discutimos e vamos implantar um núcleo comum de disciplinas entre os cursos do Centro de Música e Musicoterapia do Campus de Curitiba II (FAP) e destes com os cursos de música do Campus de Curitiba I (EMBAP). Isso favorecerá muito o fluxo dos alunos na matriz curricular e a mobilidade de alunos e professores na UNESPAR, com maior diversidade de horários disponíveis.

Considero que esta é uma das maiores melhorias que a UNESPAR está passando. Faz parte das exigências do Conselho Estadual de Educação para o processo de credenciamento da Universidade. No caso do nosso curso de Bacharelado em Música Popular o processo foi atrasado pela implantação da universidade, pois já tínhamos discussões avançadas desde 2012 para uma nova matriz curricular.

Mestrado em música

Já faz um tempo que estamos projetando um mestrado em música na UNESPAR. Até o momento não fomos bem sucedidos em nossas tentativas junto à CAPES.

O projeto que submetemos em 2017 foi aprovado em todos os quesitos menos um: indicativos de produção docente.

Continuamos trabalhando nisso, e reapresentamos o projeto este ano. Foi em setembro que finalizamos as discussões, e a documentação. Em outubro deve ser feita nova submissão à CAPES. Esperamos sucesso desta vez.

A novidade é foi feito um processo convidando novos professores. Vários manifestaram interesse e tiveram seus currículos avaliados conforme as recomendações da CAPES (projetos de pesquisa ativos, experiência de orientação, publicações qualificadas).

Tivemos vários docentes aprovados e incorporados à proposta. Com isso nossa equipe aumentou. Se formos aprovados pela CAPES este ano, um dos fatores terá sido esse aumento no nosso “time”.

Pós-graduação em História

Foi em setembro que o pessoal fez as inscrições para o mestrado e o doutorado em história da UFPR. Eu tinha dado a dica e convocado os interessados aqui no blog:

Lançado o edital de seleção 2018 do PPGHIS-UFPR

Felizmente eu tive alguns corajosos que se inscreveram para tentar mestrado e doutorado sob minha orientação.

Sempre tem também aqueles não conheço e trazem bons projetos. Até hoje só peguei orientandos assim. Se eu pegar ex-alunos de graduação ou projetos próximos das minhas pesquisas este ano, será uma grande novidade.

O portal do processo seletivo para 2018 tem os editais com os inscritos, e em breve deve sair o resultado das provas teóricas. Após isso teremos as avaliações dos projetos e as entrevistas.

Bancas

Uma das coisas legais da vida de professor doutor é participar de vez em quando de bancas de trabalhos muito interessantes.

Em setembro participei da Qualificação do mestrado de Francisco Okabe, orientando do professor Edwin Pitre-Vásquez. O Francisco está fazendo um trabalho muito interessante sobre Waltel Branco. Acho que é a primeira pesquisa em um curso de pós Stricto Sensu sobre o músico.

O trabalho vai ficar bem interessante. Já tem um catálogo das gravações em que Waltel participou (discos autorais, participações como violonista, como guitarrista, como compositor, como arranjador, como produtor). Vai ter ainda mais coisa interessante até o final.

Uma das melhores coisas foi conhecer de perto o professor Ivan Vilela, da ECA-USP. Depois da banca ele fez uma fantástica palestra-show no DAERTES/UFPR, com a viola caipira e muitas histórias interessantíssimas.

Livro

Foi em setembro que saíram as informações do livro O som da reforma, organizado por Joêzer Mendonça. Sou autor do capítulo sobre música e a reforma calvinista. Sobre este livro fiz um post explicativo em setembro, aqui no blog:

Joezer Mendonça: O som da reforma

Capa do livro O som da reforma que sai pela Editora CRV

A novidade é que já peguei meus exemplares, e comprei uma cota extra – tenho alguns para vender.

Posts mais lidos

A quem interessar possa, estes são os posts mais lidos deste blog em setembro, segundo estatísticas do Google Analytics:

Meu discurso como professor homenageado dos formandos 2012 de música da FAP

 

Os cânticos dos cristãos nos primeiros séculos

 

Orquestra Sinfônica do Paraná é uma das 5 melhores do Brasil?

 

Meu discurso de paraninfo para os formandos de Licenciatura em Música 2011 da FAP

 

Quando começa a História da Música?

 

Jorge Amado: Seara vermelha (1946)

 

Lançado o edital de seleção 2018 do PPGHIS-UFPR

 

Música nos primeiros séculos de colonização da América Portuguesa

 

Joezer Mendonça: O som da reforma

A importância das orquestras e sua manutenção

Joezer Mendonça: O som da reforma

A uns dias atrás eu contei aqui no blog que eu tinha escrito um capítulo para um livro sobre a música na reforma protestante. Pois bem, já está pronto. Na verdade falta imprimir a tiragem, mas já está em pré venda no site da editora. O livro é O som da reforma: a música no tempo dos primeiros protestantes, organizado por Joêzer Mendonça.

O livro, é claro, aproveita a ocasião da comemoração dos 500 anos da reforma luterana para fazer uma saudável e interessante discussão.

O livro

Capa do livro O som da reforma que sai pela Editora CRV

O livro está saindo pela Editora CRV, a mesma que já lançou nosso Música, cultura e sociedade: dilemas do moderno. É um livro coletivo, com vários autores, cada um escrevendo um ou mais capítulos temáticos.

Os assuntos envolvem o pensamento sobre música e as mudanças promovidas pelas várias tradições reformadas. Tem capítulos sobre luteranos, calvinistas, anabatistas, catolicismo tridentino (reforma católica). Acho que só faltou um capítulo mais específico sobre os anglicanos. É claro que eu ainda não li o livro, pode ser que o assunto esteja no capítulo sobre reforma na Escócia e na Inglaterra.

Informações sobre o livro, capa, sumário, apresentação, podem ser vistos aqui na página da editora. Ali também dá pra reservar seu exemplar, ao preço promocional de R$ 35,90 (o preço oficial é R$ 41,90).

Os autores

O livro foi organizado por Joêzer de Souza Mendonça, professor da PUC-PR, Doutor pela UNESP, pesquisador da música sacra evangélica. Sobre este assunto ele já publicou o livro Música e religião na era do pop.

Ele convidou vários autores que tem uma boa trajetória acadêmica e que são pesquisadores ou interessados no tema da música religiosa e das tradições reformadas.

Os autores são: Joêzer Mendonça (PUC-PR), André Egg (UNESPAR), Dorotéa Kerr (UNESP), Isaac Malheiros, Jaqueline Dolghie, Jetro Meira de Oliveira (UNASP), Jane Borges (UFSCar), Kátia Kato, Marcell Steuernagel, Márcio Antonio de Almeida (UNISAL), Parcival Módolo.

Lançamento

Em breve o livro estará impresso e disponível. Acredito que haverá algum evento de lançamento, no mínimo nas universidades dos autores envolvidos. Teremos alguma coisa sobre ele também na 1ª Jornada de Música e Religiosidades da PUC-PR (dias 7 e 8 de novembro).

Agosto de 2017

Agosto de 2017 passou cheio de acontecimentos, mas não aqui no blog. Não tenho escrito nada senão estes resumos mensais, porque a vida anda muito corrida com as aulas e a produção acadêmica.

Os últimos posts são:

Maio de 2017

Junho de 2017

Julho de 2017

Grupo de Pesquisa

O Grupo de Pesquisa em Música, Cultura e Sociedade tem um blog, lá também a produção de textos vai devagar, ainda temos informação atrasada a publicar. Em agosto postei lá sobre textos que são resultado de pesquisas de Iniciação Científica do Grupo, que foram apresentados no evento da UNESPAR em 2016, e que saíram em anais.

Publicados os trabalhos apresentados no EAIC 2016

O Pensador Selvagem

Já contei aqui que o portal O Pensador Selvagem voltou à ativa, e criei lá a coluna Cena Contemporânea. Tenho várias ideias de posts para escrever, mas por enquanto não tá dando tempo.

Mas em agosto saiu lá:

Conexões globais no violão de Fabricio Mattos

O próximo texto, que eu já devia ter escrito, mas o tempo não está parando pra eu fazer isso, é sobre a Bienal Música Hoje. Ela foi realizada em Curitiba, em sua quarta edição, e teve muito concerto interessante, a maioria com estreias de obras. Assim que conseguir fazer lá o texto, aviso aqui também.

Trabalhos acadêmicos

Talvez eu não escreva mais tanto no blog porque estou dedicando mais tempo à vida acadêmica.

Minhas primeiras orientandas de mestrado vão qualificar em outubro – trabalhos bem interessantes, vou contar mais detalhes aqui depois. Aliás, ótima ocasião para lembrar que faltam poucos dias para encerrar as inscrições para a seleção do mestrado e doutorado em História da UFPR. Escrevi explicações e dei links aqui:

Lançado o edital de seleção 2018 do PPGHIS-UFPR

Este ano tenho muitas turmas, como vocês podem ver aqui na aba Material de Aula. Estou me quebrando para preparar aulas, atualizar o referencial, os exemplos e, principalmente, tá bem corrido para corrigir os trabalhos.

Além disso, tem a turma boa fazendo TCC, PIC e o trabalho do Grupo de Pesquisa para tocar.

Fora isso, vocês sabem, porque já contei aqui, saíram livros este ano:

Música, cultura e sociedade: dilemas do moderno é o que eu organizei. Tem texto meu e de muita gente fera. Já vendeu um bocado nos eventos que fizemos, mas ainda tem vários exemplares comigo, e estou vendendo pela Amazon.

Também tenho uns exemplares do Com som, sem som. Liberdades políticas, liberdades poéticas, organizado por Heloísa Valente e Simone Pereira. Além dos muitos textos legais que saíram no volume, tem um capítulo meu cujo título é “O papel do compositor em debate na imprensa escrita: Brasil, décadas de 1920 a 1960”. Está à venda na Amazon, também.

Vai sair em breve um volume organizado por Joêzer Mendonça, pela editora CRV, sobre música na reforma protestante. Escrevi um capítulo sobre música e calvinismo. Assim que sair conto aqui.

Leituras

Sou meio confuso com as leituras, muita coisa começo e paro, não consigo contar muito aqui. Agora, se tem uma coisa que me empolgou em agosto, assim como já tinha sido em julho, foi ler a série napolitana de Elena Ferrante.

Depois que peguei o primeiro da série pelo Kindle Unlimited, dei sequência até o quarto volume. É o tipo de livro que não se consegue parar de ler. Pra mim, além do interesse pela literatura, pela personagem Elena Greco, que me cativou incrivelmente, tem todo o fundo histórico.

É uma história de amizade, da relação entre as mulheres e o mundo masculino, das dificuldades nos estudos (por ser mulher e por ser da periferia pobre de Nápoles) e na vida profissional. Mas sobre tudo, há grandes insights sobre a vida intelectual e política da Itália dos anos 1960 a 1980 – só essa parte já vale, e me faz ficar com aquele senso de dever de estar me divertindo e ao mesmo tempo aprendendo alguma coisa de história.

Os quatro volumes da série napolitana, de Elena Ferrante

P.S. os posts mais lidos deste blog em agosto foram (segundo o google analytics):

Meu discurso como professor homenageado dos formandos 2012 de música da FAP

Meu discurso de paraninfo para os formandos de Licenciatura em Música 2011 da FAP

Os cânticos dos cristãos nos primeiros séculos

Lançado o edital de seleção 2018 do PPGHIS-UFPR

Orquestra Sinfônica do Paraná é uma das 5 melhores do Brasil?

Julho de 2017

Muita coisa aconteceu em julho de 2017, menos neste blog. Não publiquei nada aqui neste mês. Mas há outras coisas interessantes. Veja, primeiro, os resumos que fiz dos meses anteriores:

Junho de 2017

Maio de 2017

Abril de 2017

Mestrado e doutorado em História da UFPR

Como contei no post linkado abaixo, estão abertas as inscrições para o mestrado e doutorado em história da UFPR. Sou um possível orientador, principalmente se você quiser pesquisar assuntos que liguem música e história.

Lançado o edital de seleção 2018 do PPGHIS-UFPR

Neste texto tem os links para edital e página de inscrições.

Novo livro

Nos meses anteriores deste ano você já viu notícias por aqui do livro Música, cultura e sociedade, do qual sou organizador.

 

Capa do livro Música, cultura e sociedade: dilemas do moderno

Só pra lembrar, o livro está à venda na Amazon.

Também já contei que saiu um capítulo meu no livro Com som, sem som organizado por Heloísa Valente e Simone Pereira:

Capa do livro Com som, sem som, lançado pela Editora Letra e Voz

A novidade é que vai sair mais um texto meu em livro, provavelmente em outubro ou novembro.

Escrevi o texto em julho, é sobre música na reforma calvinista, e vai fazer parte de um volume sobre música nas reformas protestantes. O livro aproveita a onda de estudos e lançamentos por ocasião dos 500 anos da reforma. Foi organizado por Joêzer Mendonça, e deve sair também pela editora CRV.

Assim que estiver pronto conto aqui.

A volta de O Pensador Selvagem

A outra grande novidade de julho é que o portal O Pensador Selvagem está de volta. Depois de alguns anos inativo, Rafael Reinehr e Patricia Louzada retomaram o projeto editorial e relançaram o sítio, com visual renovado.

Me propus a manter lá uma coluna na seção “Arte e cultura“. Minha coluna vai se chamar “Cena contemporânea“, e deve trazer textos de crítica cultural em geral.

Por enquanto está lá o post com explicações inicias, breve começa o assunto pra valer:

Voltando a O Pensador Selvagem

Quero reforçar aqui que foi no antigo portal do Pensador Selvagem que tive o blog Um drible nas certezas. Foi devido aos problemas de servidor que levaram ao fechamento do antigo portal que acabei abrindo este endereço pessoal, conforme contei aqui no post de estreia, em 2012:

Meu próprio blog

Mas foi certamente no Pensador Selvagem que desenvolvi minha escrita na internet, e onde também aprendi muito com colunistas e blogueiros que fizeram um dos melhores portais da virada das décadas de 2000 e 2010.

Com isso espero manter um espaço um pouco mais plural, que substitua o espaço que mantive no finado blog História Cultural, que escrevi no portal do finado jornal Gazeta do Povo entre 2011 e 2015. (O jornal Gazeta do Povo não é mais publicado em forma impressa, o portal ainda existe, bem como os arquivos do meu blog.) Contei sobre o fim deste blog neste post:

O blog História Cultural será descontinuado

Então estão todos convidados a acompanhar – minha coluna e o trabalho dos colegas, que deve ser bem interessante.

Livros, filmes, discos, etc

Sem muito tempo pra escrever resenhas ou comentários do que ando lendo e/ou assistindo, então aqui vão os comentários à queima roupa:

Capa do primeiro livro da Série Napolitana

Aproveitei um tempinho do recesso da UNESPAR e o fato de eu ter o livro disponível no Kindle Ilimitado. E só posso dizer uma coisa: pare o que está fazendo e vá logo ler. Li A amiga genial, o primeiro da série, e agora estou com História do novo sobrenome, sua continuação. A escritora italiana Elena Ferrante (pseudônimo) usou a voz narrativa de Elena Greco, uma garota de um subúrbio de Nápoles dos anos 1950, para contar contar a história de sua amizade com Rafaella Cerullo.

A história é da amizade das duas, mas é muito mais que isso. É uma história do mundo contemporâneo visto pela garota que é a personagem principal. É a história de crescer, enfrentar o passado nebuloso (guerra, fascismo, machismo, violência, pobreza) e o futuro incerto. É a história de duas mulheres, vivendo numa época em que o lugar feminino no mundo mudou tanto, embora ainda seja tão pouco. Vai nesta linha que tanto gosto, que é a de fazer livro de ficção ao mesmo tempo em que faz livro de história.

Também estou lendo esta interessantíssima história da Segunda Guerra, construída principalmente a partir de depoimentos de pessoas comuns que enfrentaram seus horrores. Livro muito bem escrito, ótima pesquisa:

Tem mais coisa, mas o tempo tá curto. Bora trabalhar um pouco, e em breve prometo escrever melhor sobre estas coisas aqui.

Posts mais lidos

Se alguém quiser saber, o Google Analytics me contou que estes foram os posts mais lidos nesta página em julho:

Meu discurso como professor homenageado dos formandos 2012 de música da FAP

Os cânticos dos cristãos nos primeiros séculos

Meu discurso de paraninfo para os formandos de Licenciatura em Música 2011 da FAP

Quando foi inventado o canto gregoriano?

Orquestra Sinfônica do Paraná é uma das 5 melhores do Brasil?

Junho de 2017

Já estamos em junho de 2017! Os meses passam cada vez mais rápido nessa vida, e eu dificilmente dou conta de acompanhar!

Junho já passou faz um tempo, e eu atrasado para contar os babados aqui no post mensal. O problema é que o mês passou cheio daquelas coisas todas de trabalho que a gente não escreve em blog porque não vale a pena e/ou não dá tempo.

O que aconteceu em junho aqui nesta página ou em outras páginas em que escrevo?

Que ainda não tenha contado em abril e maio?

Abril de 2017

Maio de 2017

Bem, as novidades foram:

Lançamento do livro em São Paulo

Dia 8 teve lançamento do livro na USP, num bate papo com o professor Marcos Napolitano. O evento foi pequeno, mas uma boa oportunidade para debater e conversar sobre pesquisa em história e música.

Fiz um post divulgando na página do grupo de pesquisa:

Lançamento do livro em São Paulo

Saiu o edital de seleção do mestrado e doutorado em História da UFPR

E como sou orientador lá no programa, professor colaborador na linha de pesquisa Arte, Memória e Narrativa, escrevi um post aqui no blog divulgando, dando links e algumas explicações sobre o processo.

Lançado o edital de seleção 2018 do PPGHIS-UFPR

Fiquei surpreso com a quantidade de gente legal que já mostrou interesse e está conversando sobre projetos. Acredito que vou ter trabalho nessa seleção.

Lançado o edital de seleção 2018 do PPGHIS-UFPR

Banner da página do Programa de Pós-Graduação em História da UFPR

O Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Paraná divulgou informações sobre a seleção para os cursos de mestrado e doutorado. As informações vem em documento próprio – o edital de seleção 2018 do PPGHIS-UFPR.

As informações do edital e links para inscrição estão disponíveis nesta página. Informações complementares sobre linhas de pesquisa estão nesta página.

Prazos do edital

Este ano o edital veio com mudanças em relação aos anos anteriores, principalmente nos prazos. Veja a seguir a tabela apresentada no item 3 do edital – “Do calendário do processo de seleção”, páginas 2 e 3:

Calendário da seleção para 2018 do PPGHIS-UFPR, conforme edital

As inscrições são até 15 de setembro, um pouco mais de prazo em relação aos editais anteriores. E as provas, avaliação dos projetos e entrevistas ocorrerão entre 6 de outubro e 24 de novembro.

Projeto de pesquisa

Importante notar que a inscrição exige projeto de pesquisa. A explicação sobre o formato do projeto e critérios de avaliação do mesmo estão no item 6 do edital, páginas 5 e 6. Os principais elementos que deverão estar no projeto são: Definição do objeto e problemática; Justificativa; Objetivos; Quadro teórico-metodológico; Tipologia das fontes. Os principais critérios de avaliação são: adequação às linhas de pesquisa; delimitação do objeto; domínio da historiografia pertinente ao tema; descrição e análise das fontes, sua pertinência com o objeto e disponibilidade; viabilidade de execução dentro do prazo.

Os projetos de mestrado podem ter até 15 páginas e os de doutorado até 20. O curso de mestrado tem duração de 2 anos, o de doutorado 4 anos. A avaliação dos projetos será feita entre 30 de outubro e 13 de novembro pelos colegiados das linhas de pesquisa. Somente serão avaliados os projetos dos candidatos aprovados na primeira etapa – prova escrita.

Prova escrita

Dia 06 de outubro será realizada a prova escrita, com questões sobre a bibliografia indicada no item 5, página 4 do edital. A seguir uma imagem desta parte do edital:

Bibliografia para prova escrita da seleção 2018 do PPGHIS-UFPR

Linhas de pesquisa

O Programa de Pós-Graduação em História da UFPR tem 4 linhas de pesquisa, cuja apresentação pode ser consultada neste link e cujo corpo docente pode ser consultado neste link. No nome de cada docente há link para uma página de apresentação, com breve currículo e interesses de pesquisa. Normalmente há também um email para contato, e por estes endereços pode-se conversar sobre possíveis projetos.

Não posso dizer muita coisa sobre as demais linhas de pesquisa por não conhecer bem o trabalho de todos os professores. Em geral, o Programa é bem avaliado pela CAPES, recebendo conceito 5 há muitos anos (a CAPES avalia com conceitos de 3 a 7). Eu fui aluno de mestrado no programa entre 2002 e 2004, quando os docentes e as linhas de pesquisa não eram os mesmos de agora.

Posso dizer, com entusiasmo, da linha de pesquisa Arte, Memória e Narrativa (AMENA), da qual participo junto com ótimos colegas. Sou professor colaborador no programa, o que significa que não sou professor da UFPR nem tenho disciplinas na pós. Sou orientador e participo das atividades da linha de pesquisa. Garanto que ali na AMENA temos um ótimo ambiente de trabalho, professores empenhados e assuntos muito interessantes para pesquisa. Coisas como cinema, literatura, artes visuais, quadrinhos, música, que são nossos objetos para pensar questões mais amplas de história.

Para você ter uma ideia do nível desse time: somos eu (André Egg), Artur Freitas, Claudio Machado, Clovis Gruner, Rosane Kaminski e Vinicius Honesko. Disponibilizamos ao todo 17 vagas, sendo 10 de mestrado e 7 de doutorado – conforme o item 2, página 2 do edital.

Posso orientar

Sou novo no programa – entrei em 2015 e assumi as primeiras orientações em 2016. Nos editais passados eu era apenas orientador possível para mestrado. Agora poderei assumir também orientações de doutorado.

Meus temas seriam principalmente os que relacionam música e história, embora eu também esteja trabalhando com orientação de projetos que não são de música, mas abordam questões de crítica de arte, mercado de bens culturais, arte e política, e outras cercanias.

Talvez você seja graduado em música e esteja se perguntando: posso fazer um mestrado em história? A resposta é sim, muito sim. Eu mesmo fiz isso. É fácil? Não – significa transitar por uma bibliografia de outra área do conhecimento. É impossível? Não – mas requer esforço de leitura. Não apenas da bibliografia indicada para a prova, mas de textos gerais sobre teoria e metodologia da pesquisa em história. Textos clássicos como Introdução à história, de Marc Bloch, ou História/Memória de Jacques Le Goff são quase obrigatórios. Algumas colheradas de Hobsbawm, Foucault, Benjamim, Ginsburg, Chartier, Bourdieu não farão mal a ninguém. Pilares da pesquisa em história e música no Brasil, como Marcos Napolitano, são altamente recomendados. E claro, tem muita bibliografia específica de bons historiadores sobre a maioria dos temas de história e música no Brasil, por exemplo.

Talvez você seja graduado em história ou outro curso da área das Ciências Humanas e esteja pensando: posso pesquisar sobre música se não leio partitura e nem toco nenhum instrumento? Sim, muito sim. Para pesquisar sobre música é necessário primordialmente ouvir música, discutir música, ler sobre música. Grandes pesquisadores tem escrito livros seminais de história e música no Brasil sem nunca terem tocado um instrumento ou lido uma partitura. Certamente você não será a primeira ou o primeiro a trilhar este caminho.

Em ambos os casos, pretende-se que o orientador sirva para ajudar a navegar nestes mares revoltos.

Aguardo contatos para conversar sobre os projetos!

Maio de 2017

Atrasado, mas tentando não deixar em branco – lá vai o resumo do que foi o mês de maio de 2017 neste blog.

Antes, links para o resumo dos meses anteriores:

Janeiro de 2017

Fevereiro de 2017

Março de 2017

Abril de 2017

Bem, é isso, não tem mais nada. Não deu tempo de escrever aqui na página. Entrei na espiral infinita de corrigir trabalhos. Como agora tenho 6 turmas, e já tinha perdido um pouco a prática, estou muito mais empenhado do que pensei que seria.

Grupo de Pesquisa

Para não dizer que não teve texto, saíram duas notícias na página do Grupo de Pesquisa. Uma sobre o Seminário de Iniciação Científica que fizemos com nossos alunos. Outra sobre um evento de lançamento do livro na USP:

Seminário de Iniciação Científica 2017

Lançamento do livro em São Paulo

Nosso livro

A boa notícia é que nosso livro Música, cultura e sociedade: dilemas do moderno tem tido boa repercussão.

Capa do livro Música, cultura e sociedade: dilemas do moderno

Dia 24 fizemos um lançamento do livro no SIMCAM (Simpósio de Cognição e Artes Musicais). Fizemos uma mesa com os professores Allan Oliveira, Ana Paula Peters e Danilo Ramos, além de mim.

Dos exemplares que comprei da editora já vendi mais da metade. Estou vendendo também pelo marketplace da Amazon – se você não comprou e não está em Curitiba para pegar seu exemplar pessoalmente, pode comprar por lá.

Mais um livro

Outra novidade interessante é que chegaram meus exemplares do livro Com som, sem som: liberdades políticas, liberdades poéticas, organizado por Heloísa Valente e Simone Pereira. Escrevi um capítulo, cujo título é “O papel do compositor em debate na imprensa escrita: Brasil, décadas de 1920 a 1960.”

Esse texto é o resultado de uma fala que fiz no Congresso MUSIMID 2014. O livro surgiu das falas de alguns dos conferencistas deste evento, e tem vários textos muito interessantes.

Capa do livro Com som, sem som, lançado pela Editora Letra e Voz

Você pode ver mais informações sobre o livro, sumário, etc., na página da editora.

Abril de 2017

Eu sei, eu sei, foi mal. Está bem tarde para escrever sobre abril de 2017. É que abril foi um mês agitado. Começou o ano letivo 2017 na UNESPAR, e eu assumi várias disciplinas. Estou com um conjunto de matérias e turmas que eu não tinha desde 2014. Então, mais trabalho para preparar tudo (sem falar que a definição de quais matérias cada um assumiria foi muito tarde, por causa de um entrave jurídico no Teste Seletivo que impediu a contratação de um professor substituto). Além disso, tem as orientações de IC e de mestrado, o Grupo de Pesquisa

Lançamento do livro

Uma das coisas que agitou abril foi a organização dos eventos de lançamento do livro Música, cultura e sociedade: dilemas do moderno, que eu organizei e saiu pela Editora CRV.

Estamos fazendo eventos acadêmicos, onde vários autores participam de uma mesa para conversar sobre seus capítulos. O primeiro foi na FAP (UNESPAR – Campus de Curitiba II), no dia 11 de abril. E o segundo foi no Programa de Pós-Graduação em História da UFPR, no dia 17. Contei sobre ambos neste post:

Lançamento do livro Música, cultura e sociedade

Tem outros eventos programados (e um até já aconteceu na EMBAP, Campus de Curitiba I) – mas isso é assunto para maio.

Capa do livro Música, cultura e sociedade: dilemas do moderno

O importante é que o livro foi resultado de pesquisas que estão somando um esforço reflexivo, e que faz parte do processo para criarmos um mestrado em música na UNESPAR. Já participamos duas vezes do processo de avaliação da CAPES, e ainda não fomos aprovados. Continuamos insistindo.

Tenho exemplares do livro para vender (já vendemos quase metade da cota que pegamos na editora) – quem quiser pode procurar comigo. O livro está à venda na Livraria da Travessa. Também é possível encomendar pelo site da editora.

Posts no blog

Pelos mesmos motivos do atraso com este post, não saiu muita coisa aqui no blog em abril. A lista vem a seguir, e inclui um post já linkado acima:

Já estão no ar meus Planos de Ensino 2017

Lançamento do livro Música, cultura e sociedade

Eduardo Jardim: Eu sou trezentos – Mário de Andrade, vida e obra

Veja também os posts sobre os meses anteriores:

Março de 2017

Fevereiro de 2017

Janeiro de 2017

Minhas aulas na UNESPAR

Abril foi o mês da retomada. Começamos o calendário 2017, e pretendemos fechar este ano alinhando o calendário acadêmico com o calendário solar. Devido a problemas com o vestibular, greves docentes e ocupação estudantil, passamos os últimos anos às voltas com calendários irregulares. Agora acho que podemos terminar o ano no prazo e começar 2018 na época propícia.

Este ano não escrevi posts novos aqui no blog sobre minhas disciplinas. Mas tem posts dos anos anteriores que estou usando nas aulas. Além disso tem links para alguns slides que ando mostrando para os alunos. As disciplinas que eu trabalho são História da Música I, II, III e IV no curso de Bacharelado em Música Popular e História da Música e História da Música Brasileira no curso de Licenciatura em Música.

A seguir os links referentes aos assuntos das aulas de abril:

Slides de uma aula sobre a República Musical

Slides de uma aula sobre Beethoven

Slides de uma aula sobre Música de teclado no séc. XVII

Post A música grega antiga aqui no blog

Post Sobre a notação da música grega antiga aqui no blog

Post de uma aula sobre A invenção do fonograma aqui no blog

Post de uma aula sobre Música nos primeiros séculos de colonização na América Portuguesa aqui no blog

Post Os cânticos dos cristãos nos primeiros séculos aqui no blog

Vamos ver se nos próximos meses consigo voltar a escrever posts no blog sobre os assuntos das aulas. Os linkados acima são posts que escrevi em 2013, 2014 ou no ano passado.

Livros, filmes e etc.

No Netflix, acho que as últimas coisas são: eu e a Maris estamos assistindo The Crown, ótima série britânica sobre os dilemas da jovem rainha Elizabeth na década de 1950; continuo assistindo The flash com as crianças, e estamos gostando bastante; estou assistindo o excelente documentário Five came back sobre o envolvimento de cinco cineastas norte-americanos no esforço de guerra – todos eles foram a locais de combate como documentaristas durante a 2ª Guerra Mundial.

Nos livros, entre o monte de coisa que começo a ler e vai ficando pendurado, estou me divertindo com Inferno, de Dan Brown, que meu vizinho me emprestou. Acho que o enredo tem umas coisas meio forçadas, mas sobretudo estou gostando muito das “visitas guiadas” que o autor proporciona. Tem muita coisa legal sobre a Divina comédia de Dante, várias obras de arte e uma verdadeira imersão cultural em Florença, Veneza e Istambul. Além de muita informação histórica dada de forma divertida.

Nesta coisa de fazer história em obras de ficção, não chega nem perto da capacidade de Umberto Eco. Mas Dan Brown não está muito longe de outros autores que gosto muito com estilo parecido: Frederick Forsith e Mario Puzzo.

Fui convidado a escrever um capítulo sobre música na tradição calvinista em um livro que está em preparação. Organizado pelo meu colega Joêzer Mendonça, discutirá música na tradição protestante por ocasião dos 500 anos da Reforma. Por causa deste texto comprei algumas coisas muito boas pra ler, entre elas o que acho que é a melhor edição em português das Institutas de Calvino. A tradução de Caros Eduardo de Oliveira publicada pela editora da UNESP. O título é A instituição da religião cristã. Tem também vários livros interessantes do prof. Alister McGrath sobre a tradição calvinista traduzidos e publicados no Brasil. E estou mergulhando no acervo do Theological Commons do Princeton Theological Seminar para encontrar muita fonte documental interessante.

Tomara que eu não tenha esquecido nada importante, por que escrevi isso correndo…

 

Eduardo Jardim: Eu sou trezentos – Mário de Andrade, vida e obra

um dos principais estudiosos do pensamento de Mário de Andrade lançou um livro importante. Aproveitando a memória dos 70 anos da morte do escritor, o livro saiu no fim de 2015. Trata-se do livro de Eduardo Jardim, Eu sou trezentos: Mário de Andrade, vida e obra.

Antes de analisar a obra, podemos dizer que ao sair ela já garantiu um espaço importantíssimo na cena editorial. Simplesmente não havia uma biografia de Mário de Andrade disponível como primeira leitura para quem quer estudar o pensador modernista.

Capa do livro de Eduardo Jardim

Estudos sobre Mário de Andrade

Certamente já havia um bom livro introdutório, publicado poucos anos atrás pelo selo Claro Enigma. De olho em Mário de Andrade: uma descoberta intelectual e sentimental do Brasil, de André Botelho, não é uma biografia. Trata-se de uma introdução ao pensamento de Mário de Andrade, focado principalmente no aspecto da interpretação que o escritor modernista fez da cultura brasileira.

Havia, também, claro, outras biografias, todas já antigas e esgotadas. Uma escrita por Oneyda Alvarenga (Mário de Andrade, um pouco, 1974). Outra por Paulo Duarte (Mário de Andrade por ele mesmo, 1971). Ambas surgidas a partir da amizade pessoal e convivência com o escritor. Há ainda a escrita por Telê Porto Ancona Lopes (Mário de Andrade: ramais e caminho, 1972) a partir da documentação do próprio escritor depositada no IEB-USP. Este trabalho foi a base de uma vasta série de estudos que essa professora coordenaria sobre a obra do autor nos anos seguintes.

Além disso, muitas teses, dissertações, artigos, capítulos de livros, estudos monográficos sobre um ou outro aspecto da obra do escritor. Muitos trabalhos importantíssimos. Mas persistia a mesma dificuldade: um estudante não entraria numa livraria ou biblioteca e sairia com um estudo geral do autor e sua obra que servisse como ponto de partida.

Eduardo Jardim

O livro de Eduardo Jardim chegou então como uma grata novidade. Antes mesmo de abrir o livro já era possível saudá-lo. Era uma lacuna importante no mercado editorial. Não dava pra continuar assim, sem um trabalho sério sobre um dos nossos mais importantes pensadores.

O nome de Eduardo Jardim também empresta seriedade à obra. Ele já havia publicado pelo menos dois livros nos quais Mário de Andrade recebia importantes estudos. O primeiro, saiu na década de 1970, na mesma leva dos comentados há pouco. Era um estudo sobre a noção de cultura brasileira no modernismo, e apresentava Mário de Andrade como um importante líder de escola. Sua noção de brasilidade concorreria com as do verde-amarelismo e do movimento antropofágico, capitaneados pelos colegas Menotti del Picchia e Oswald de Andrade. Trata-se do livro A brasilidade modernista: sua dimensão filosófica, resultado da tese de doutorado do autor, publicada com o nome de Eduardo Jardim de Moraes.

Mais recente foi o livro Mário de Andrade: a morte do poeta, publicado em 2005, já com o nome de Eduardo Jardim. Este livro analisou o período de Mário de Andrade no Rio de Janeiro. Um período que Moacir Werneck de Castro também já tinha analisado a partir de sua convivência com o escritor, no livro Mário de Andrade: exílio no Rio, de 1988.

Ou seja, poucas pessoas no Brasil estavam habilitadas a escrever uma biografia de Mário de Andrade. Eduardo Jardim foi o único que se apresentou para a tarefa. Só por isso já merece todos os elogios.

A obra de Mário de Andrade

Talvez se possa dizer que o forte de Eduardo Jardim e de sua biografia de Mário de Andrade é o conhecimento da obra do escritor. A obra literária, publicada (porque Mário de Andrade teve muitos outros tipos de obra, como o próprio título da biografia ressalta). Romance, poesia, conto. E também correspondência. Acho que isso é a principal documentação usada por Eduardo Jardim. Tem também, claro, um profundo estudo da bibliografia existente (aqueles trabalhos antigos que mencionei antes e mais um monte de trabalho especializado recente).

Por toda parte do livro é central na discussão a produção do autor. Suas obras literárias são lidas como obras literárias, como testemunho de memória pessoal, como síntese do tempo, como posicionamento nos embates. Acho que é muito bem feito isso no livro do Eduardo Jardim, e não pode, mesmo, ser diferente. Em Mário de Andrade não se separa a obra literária da vida do escritor e de sua ação no mundo – coisas que ele sempre misturou com intenção e intensidade.

Achei especialmente boas no livro as partes em que Eduardo Jardim lê momentos autobiográficos em poesias, contos e romances de Mário de Andrade. Muito instigante.

A vida do escritor

Mas acho que o principal foco desta biografia é a vida pessoal de Mário de Andrade. Sua origem familiar, sua formação escolar e intelectual. (Mas sobre formação intelectual continua sendo mais profundo o estudo de Telê Ancona Lopes). Seu relacionamento com familiares e amigos, principalmente na juventude e no início do movimento modernista. Mas também um enfoque muito detalhado da vida de Mário de Andrade durante sua estadia no Rio de Janeiro.

Aqui eu fiquei sentindo falta de uma documentação mais variada resultante de mais pesquisa em arquivo. Pedir demais, claro. Não acho que foi a pretensão de Eduardo Jardim fazer esse trabalho de historiador ou de jornalista-biógrafo. Ele deixou espaço para mais biografias que venham completar algumas coisas. Embora já seja razoavelmente detalhado o conhecimento da vida de Mário de Andrade que estava espalhado por outras publicações, e acho que o autor fez uma boa síntese. Talvez sem chegar a contribuições originais, mas é uma visão honesta da vida do escritor.

Pro meu gosto, um certo excesso de profundidade em questões sentimentais ou íntimas, como o relacionamento com a mãe, ou amor de Anita Malfatti, não correspondido. É um pouco constrangedor a gente ver detalhes assim da vida sentimental de um sujeito, mas paciência. Acho que não se faz biografia sem isso.

Ação intelectual e política

O ponto fraco do livro ficou mesmo a parte sobre a ação intelectual e política de Mário de Andrade. Aparece no trabalho uma razoável visão da ação do escritor no início do movimento modernista. Bom foco em seu período no Departamento de Cultura. Alguma coisa sobre seu trabalho no Ministério da Educação no tempo de Rio de Janeiro.

Mesmo nesses momentos chave o foco foi mais a maneira pessoal dele se engajar no trabalho, seus dilemas existenciais. Quase como se Eduardo Jardim fosse, como os outros biógrafos de Mário de Andrade, um amigo pessoal escrevendo sob o peso da convivência com o escritor. Sem conseguir se livrar de seu magnetismo pessoal. O distanciamento histórico poderia ter servido melhor ao biógrafo.

Para ter avançado nisso precisaria, sim, muito trabalho de arquivo. Tem muita coisa pra fazer quanto a isso. Ainda vamos levar alguns anos pra poder escrever coisa mais profunda que dê conta do Mário de Andrade homem de ação, burocrata, intelectual público.

Biografar sem monumentalizar, um desafio

Sobretudo, ainda não está sistematizada a produção de Mário de Andrade em periódicos (jornais, revistas, revistas especializadas) e isso faz muita falta. Acho que tem coisa pra se estudar também em documentos de arquivo que não sejam o arquivo pessoal do escritor. Lembrar que é sempre um risco trabalhar um personagem histórico somente a partir de seu arquivo pessoal. Esses arquivos são montados normalmente sob uma ótica monumentalizadora. Ou seja, restam perguntas que todo historiador tem que fazer diante de um arquivo tão completo quanto o que Mário de Andrade deixou de si. Quanto trabalho e recursos esse sujeito gastou para guardar e preservar tudo isso? Com que intenção? Como apreendê-lo sem tornar-se refém das leituras que ele procurou direcionar ao construir o próprio arquivo?

Essa é uma dificuldade para trabalhar com Mário de Andrade. Fica somada a uma camada de interpretação histórica muito favorável que foi sendo construída por amigos pessoais, alunos. E mesmo pelos desconhecidos que tiveram sempre o orgulho de se dizer influenciados por ele (segundo minha experiência de pesquisa, normalmente com bastante exagero).

Importância da obra

Numa avaliação geral: obra indispensável. Todo mundo vai ter que ler isso. Mas ainda dá pra fazer mais biografias. Sobretudo enfocar com mais cuidado a atuação institucional e a relação de Mário de Andrade com as artes visuais e a música. Por exemplo, porque são coisas que que não podem ficar diminuídas em comparação com sua relação com literatura. Senão continuará sendo uma visão muito limitada desse intelectual que fez questão de enfatizar que era “trezentos”.

Ainda tem umas centenas de Mário a serem investigadas por aí. O Eduardo Jardim não terminou tudo não. Mas pavimentou um ótimo caminho, nos abriu novas curiosidades.

Lançamento do livro Música, cultura e sociedade

Esta semana fizemos o primeiro evento de lançamento do livro Música, cultura e sociedade: dilemas do moderno, do qual sou organizador.

Lançamento na FAP

Eu já dei a notícia do livro aqui no blog quando ele foi publicado, em dezembro. Mas até agora não tínhamos feito evento de lançamento, porque o calendário na UNESPAR esteve tumultuado por greve de professores e ocupação estudantil. Agora que entramos o ano letivo de 2017, aproveitamos para fazer um evento no Auditório com a presença de alguns autores.

As explicações sobre este lançamento estavam na página do Grupo de Pesquisa.

Pela foto abaixo, com alguns dos autores presentes, você pode ver que ao menos nós nos divertimos (em participar do livro e em fazer o lançamento):

Autores em lançamento na FAP (foto de Maris de Souza Egg)

Presentes na foto, da esquerda para a direita: prof. Allan Oliveira (UNESPAR – Campus de Curitiba II), prof. Danilo Ramos (DEARTES-UFPR), prof. André Egg (UNESPAR – Campus de Curitiba II) e prof. Joêzer Mendonça (PUC-PR). Ausente na foto, mas que também esteve no evento: profª. Ana Paula Peters (UNESPAR – Campus de Curitiba I), que precisou sair antes do fim.

Lançamento no PPGHIS-UFPR

Mas quem perdeu o primeiro evento não precisa se desesperar. Teremos mais oportunidades.

Aliás, já na próxima segunda-feira. Dia 17 de abril, às 19:00 horas, na Sala Carlos Antunes (6º andar, Depto. de História, Ed. D. Pedro I). Ali faremos também uma mesa com participação de autores. O evento é organizado pela Linha de Pesquisa Arte, Memória e Narrativa do PPGHIS, nossa famosa AMENA.

Agradeço aos colegas Vinícius Honesko pela organização, Rosane Kaminski pelo apoio e Artur Freitas pela elaboração do material de divulgação.

Abaixo, o convite:

Convite para o lançamento do livro Música, cultura e sociedade: dilemas do moderno (Arte de Artur Freitas)