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Crítica de concertos

Ensamble Móbile faz hoje 5 estreias no SiMN

Hoje, penúltimo dia do Simpósio Internacional de Música Nova 2016, o SiMN, teremos o concerto do Ensamble Móbile, com 5 estreias. O concerto acontece às 20:00 horas no Auditório do Museu Oscar Niemeyer, e às 19:30 eu farei uma palestra/pre-concert talk.

No repertório do concerto, teremos 4 obras encomendadas para o SiMN, e mais uma estreia de obra de Harry Crowl e uma peça do compositor austríaco Georg Friedrich Haas.

O programa

Tadeu Taffarello – Choro vão da água triste (2016 – encomenda/estreia)

Franco Bridarolli – Los objetos magnéticos (2016 – encomenda/estreia)

Harry Crowll – Charneca em flor (2014 – estreia)

Georg Friedrich Haas – Ins licht (2007)

Marcio Steuernagel – De profundis super de profundis (2016 – encomenda/estreia)

Bryan Holmes – Evitar levitar (2016 – encomenda/estreia)

Ensamble Móbile

Ensamble Móbile em concerto - foto de Cida Demarchi (divulgação/site do grupo)

O Ensamble Móbile é um conjunto formado a partir do Núcleo Música Nova – Grupo de Pesquisa em Música Contemporânea da UNESPAR, que é também o organizador institucional do SiMN. O Ensamble Móbile dedica-se à música contemporânea, em intersecção com as pesquisas desenvolvidas no âmbito do grupo.

Mais informações sobre o grupo, fotos e áudios na página do Núcleo Música Nova.

Atualmente, o grupo tem como integrantes: Fabricio Ribeiro (flauta), Dhiego Lima (violino), Shante Antunes Cabral (violoncelo), Eric Moreira (violão), Alexsander Ribeiro de Lara (piano), Felipe de Almeida Ribeiro (eletrônica), Márcio Steuernagel (regência). Para o concerto, participação especial de Helen Tórmina (voz soprano). A direção artística/coordenação do grupo é feita por Fabricio Ribeiro e Felipe de Almeida Ribeiro.

Os compositores

Tadeu Taffarello reside na região de Campinas-SP. Foi professor da UEL entre 2012 e 2015 e atualmente trabalha no Centro de Documentação em Música Contemporânea da UNICAMP. Nesta universidade fez seu doutorado (em 2010) sobre a influência da escrita de Oliver Messiaen nas Cartas celestes de Almeida Prado.

Taffarello já teve obras apresentadas em outras edições do SiMN. Ele tem um blog onde se encontram algumas gravações e partituras de obras de sua autoria.

Franco Bridarolli nasceu em 1991 e vive em Córdoba – Argentina. Concluiu sua graduação em 2011 e começou a se destacar como compositor ao vencer o concurso de composição da Orquestra Sinfônica de Córdoba em 2014. Ele possui uma página no Soundcloud onde se pode ouvir algumas obras.

Harry Crowl é mineiro de Belo Horizonte, nascido em 1958, mas radicado em Curitiba desde 1994. Em sua carreira articulou pesquisas com música colonial mineira e o trabalho de composição. É um dos principais compositores brasileiros vivos, e o catálogo de obras disponível em seu site possui 140 obras listadas, mas só foi atualizado até 2012.

Sua peça que será estreada neste concerto é baseada num soneto da poetisa portuguesa Florbela Espanca, que abre um volume publicado logo após seu suicídio em 1931:

CHARNECA EM FLOR

Enche o meu peito, num encanto mago,
O frêmito das coisas dolorosas…
Sob as urzes queimadas nascem rosas…
Nos meus olhos as lágrimas apago…

Anseio! Asas abertas! O que trago
Em mim? Eu oiço bocas silenciosas
Murmurar-me as palavras misteriosas
Que perturbam meu ser como um afago!

E nesta febre ansiosa que me invade,
Dispo a minha mortalha, o meu burel,
E, já não sou, Amor, Sóror Saudade…

Olhos a arder em êxtases de amor,
Boca a saber a sol, a fruto, a mel:
Sou a charneca rude a abrir em flor!

Georg Friedrich Haas é austríaco, nascido em 1953. Sua obra começou a receber destaque na década de 1990, e uma de suas marcas tem sido desde então o uso do microtonalismo. Esta técnica aparece com moderação em sua obra Ins licht, que já faz parte do repertório do Ensamble Móbile. É uma curta obra para trio de violino, violoncelo e piano. A partitura da peça pode ser observada aqui.

Marcio Steuernagel nasceu e vive em Curitiba. Estudou composição nesta cidade, sob influência de Maurício Dottori e Harry Crowl, os dois compositores mais importantes da cena local. Além de se destacar na cidade com suas composições, tem feito um trabalho notável como regente, especialmente com a Orquestra Filarmônica da UFPR. É também um dos organizadores da Bienal Música Hoje, que teve edições em 2011, 2013 e 2015. É professor da UNESPAR/EMBAP.

Bryan Holmes é chileno, nascido em 1981 e radicado no Rio de Janeiro desde 2006. Em sua obra destaca-se o uso de eletrônica. Em sua dissertação de mestrado defendida na UNIRIO, analisou obras instrumentais da primeira metade do século XX aplicando parâmetros que normalmente são usados para analisar música eletroacústica.

Sobre as obras

Sobre as obras, ainda não posso dizer nada. Exceto pela peça de Georg Friedrich Haas, que pode ser ouvida na internet e observada sua partitura (link acima).

As demais, são ilustres novidades. Apesar de ser o palestrante daqui a pouco, ainda não tenho o que dizer, pois são estreias. Eu deveria assistir ao ensaio para ter alguma coisa a falar. O horário me será impossível. De todo modo, meu conhecimento das técnicas composicionais e de obras deste tipo é tão limitado que acredito que mesmo assistindo o ensaio e olhando as partituras eu continuaria tendo problemas.

Prefiro então, ficar com a fala de Marcio Steuernagel em sua palestra para o concerto do Mivos Quartet na última segunda feira. Ele disse que sempre que alguém pergunta como é a música contemporânea ele responde que não sabe. Ainda estamos descobrindo pra onde vai, ela está sendo feita agora!

Assim, convido para essa jornada inesperada pelos novos sons. A única certeza é que os músicos são muito bons e os compositores são insuspeitos, reconhecidíssimos. Certeza que vai ser incrível.