Arte e política no Brasil: modernidades (o livro e seu processo editorial)

Há quatro anos, em janeiro de 2011, sentamos eu, Artur e Rosane no Caruso, para comermos umas empadas (deliciosas) e desenhar o projeto de um livro coletivo sobre arte e política no Brasil. Saímos dali com um plano de trabalho, o tema modernidades como guia, e uma lista de autores a convidar.

A lista era pretensiosa. Tinha diversos pesquisadores como nós, com doutorados concluídos poucos anos antes, gente com quem convivemos com prazer e cujas pesquisas admiramos. Esses não seria difícil reunir na publicação – e realmente não foi, salvo algumas defecções de colegas muito bons que não tinham condições de escrever um texto na época por causa de outros compromissos profissionais e editoriais, como o Fabio Poletto e a Miliandre Garcia.

A parte mais difícil da empreitada seria conseguir resposta positiva de autores que já são referência na área, e que teriam tudo para recusar uma proposta de gente desconhecida como nós. Alguns eram pessoas com quem tínhamos algum contato distante, outros estavam completamente fora do nosso círculo mesmo. Dos diversos autores consagrados que tivemos a ousadia de convidar, muitos não puderam aceitar – agendas já bem complicadas, mas alguns foram generosos e aderiram ao projeto.

O resultado, depois de recebermos as confirmações de participação, já era promissor. Teríamos um livro costurando jovens doutores com autores de referência, textos trabalhando com cinema, artes visuais e música. As propostas de tema dos autores de imediato derivaram uma divisão tipológica que rapidamente foi adotada para a organização do volume: uma parte dos textos se dedicava a um artista ou crítico específico, outra parte tratava de movimentos ou coletivos. Só um texto não estava bem nestas duas categorias, e era o do Marcos Napolitano. Como ele era com certeza a principal referência intelectual para nós organizadores, e para vários dos outros autores, nada mais natural que nosso patrono intelectual viesse com um texto que servia como abertura do volume, mais de interpretação geral das discussões históricas sobre uma cultura brasileira moderna.

Depois foi o processo de alinhavar os textos, escrever as apresentações, negociar com algumas editoras que estavam em vista, confirmar com a Perspectiva, etc.

Confirmar com a Perspectiva! Das várias possibilidades que estávamos negociando, talvez não imaginássemos conseguir com uma editora tão tradicional na área. Quantos livros da coleção Estudos já tínhamos lido em nosso processo de formação. Agora estaríamos lá, com nosso livro ao lado de tantos outros, com aquela famosa capa branca.

É claro, tem a parte difícil, a primeira padronização de referências e diagramação a partir do arquivo enviado pelos autores, o trabalho das revisões da editora, a conferência de provas. Tudo feito com grande prazer, afinal, revisar textos tão interessantes não é coisa de se reclamar. Trabalhar com o Artur e a Rosane, sempre uma alegria.

E assim, depois de um longo processo, nesta semana chegaram os nossos exemplares. Uma grande alegria de ver o resultado, e agora a batalha pela divulgação. Um livro que merece estar nas livrarias, bibliotecas, planos de ensino, referências bibliográficas, mesinhas de cabeceira.

Aqui, a página do livro no sítio da editora.

E abaixo, algumas fotos, que tirei hoje, assim que recebi o meu primeiro exemplar.

Sobrecapa

Sobrecapa

Capa

Capa

Folha de rosto

Folha de rosto

1ª parte do Sumário

1ª parte do Sumário

2ª parte do sumário

2ª parte do sumário

Se clicar nas fotos amplia, mas se mesmo assim estiver difícil de ler, esta é a lista dos textos que fazem parte do livro:

Apresentação – André Egg, Artur Freitas e Rosane Kaminski

Arte e política no Brasil: história e historiografia – Marcos Napolitano

PARTE 1 – Lugares do indivíduo

A invenção do estilo em Glauber Rocha e seu legado para o cinema político – Ismail Xavier

1935: movimento acelerado – Raúl Antelo

Jorge Amado e seus camaradas na imprensa comunista francesa e no movimento internacional pela paz – Marcelo Ridenti

Poética do gesto: arte e política em Lygia Clark – Ricardo Fabbrini

A Procissão do Santíssimo de Tarsila do Amaral: um muralismo inusitado – Ângela Brandão

Relações críticas no cinema moderno: David Neves e o “Guru Eterno” – Pedro Plaza Pinto

A poética da angústia no cinema ficcional de Sylvio Back – Rosane Kaminski

Modernidade na banguela: crítica de arte e vanguarda em Frederico Morais – Artur Freitas

PARTE 2 – Projetos culturais

De Tropicália a Happyland – Annateresa Fabris

O Estado como mediador cultural: o Projeto Pixinguinha – Sean Stroud

O Nacional-Popular e a militância de esquerda no Brasil e na Argentina nos anos de 1960: uma análise comparativa – Tânia da Costa Garcia

Intelectuais, imprensa e o “delito de opinião” no Brasil (1964-1968) – Rodrigo Czajka

Escolhas modernistas: paisagem versus pintura de gênero na primeira metade do século XX – Geraldo Leão Veiga de Camargo

Pump up the jam: música popular e política – Allan de Paula Oliveira

O modernismo musical no Brasil – André Egg

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