Começou o Campeonato Paranaense 2013

Rafael Silva disputa a bola contra jogadores do Operário

Rafael Silva disputa a bola contra jogadores do Operário (foto de Hugo Harada para a Gazeta do Povo)

O Campeonato Paranaense 2013 começou como seria de se esperar. Os times do interior iniciam com mais força, pois tiveram período mais longo para a preparação.

O campeonato deste ano repete a fórmula dos últimos dois anos, com uma pequena modificação. Jogam todos contra todos em dois turnos. Se algum time vencer ambos os turnos, ganha o título. Senão, uma final é disputada entre os campeões dos dois turnos. A mudança é que a final passa a levar em conta o saldo de gols. Ano passado, se o Atlético ganhasse o primeiro jogo por 1×0 e o  Coritiba ganhasse de 7×0 no Couto Pereira, mesmo assim haveria disputa por pênaltis. Seria patético, não?

Considero que agora a fórmula é a ideal, exceto pelo número de clubes na disputa. Com 12 clubes disputando, são 22 rodadas, mais os dois jogos da final. É muita data. O campeonato começou hoje, mas pode acabar só na metade de maio (se não tiver finais, acaba dia 28 de abril).

Eu defendo que o campeonato tenha apenas 8 clubes. E seja disputado com a mesma fórmula. Seriam 8 datas a menos, daria para terminar tudo em março. Você vai me perguntar o que fariam os clubes do interior, se o campeonato não tivesse lugar para tantos. Eu respondo que eles teriam calendário para o restante do ano, disputando uma espécie de primeira fase do campeonato do ano que vem. Seria disputada por todos que não estão nem na Série D do Campeonato Brasileiro. Outra possibilidade são os torneios regionais, como defende muita gente boa – vejam o post do Leonardo Mendes Junior, e este outro do Franco Gabaldi, no Impedimento, sobre a morte dos clubes do interior gaúcho.

O grande problema de um campeonato tão longo é o sério prejuízo para os clubes que tem outras competições a disputar durante o ano. Como o Coritiba, que em 2012 disputou mais de 70 partidas. Isso significa prejudicar seus jogadores com uma carga excessiva de trabalho e a piora de sua condição física.

O mesmo para o Atlético e o Paraná, com a diferença que não tem avançado muito nos torneios eliminatórios.

A solução encontrada pelos dois maiores clubes do estado foi não entrar com seus principais jogadores desde o início. O Atlético parece que vai usar o time sub-23 em todo o primeiro turno, o que significa que vai ter de jogar todas as fichas num segundo turno, correndo sério risco de não chegar à final. As trapalhadas da diretoria do Atlético não param por aí. O time continua sem trazer reforços para 2013 (pretende disputar a temporada com o time que quase não conseguiu subir ano passado?), decidiu não autorizar a transmissão de seus jogos no estadual pela RPC e proibiu seus jogadores de dar entrevistas.

Aliás, a transmissão da RPC está dando show. Assisti hoje pela primeira vez a uma transmissão de futebol em HD, no jogo entre Operário e Coritiba, realizado no Germano Krüger, em Ponta Grossa, e transmitido para todo o estado pela nossa principal emissora. Próxima semana serão transmitidos dois jogos, um para cada região do estado. Certamente, o esporte e a economia locais ganham muito com essa iniciativa que coloca o grupo GRPCOM muitos degraus acima do que vinha sendo em anos anteriores, quando era uma empresa despretenciosa, e hoje desponta como uma potência regional.

O jogo foi fraco, porque o Coritiba também não veio com seu time titular. Mas, diferente do Atlético, o alvi-verde colocou em campo um time com jogadores experientes. Entrou com Vanderlei; Gil, Bonfim, Chico e Eltinho; Júnior Urso, Djair, Robinho e Tiago Primão; Rui Díaz e Rafael Lucas.

Com exceção do último jogador, todos os outros já jogaram como titulares no Coritiba em 2013. Não são o time principal, mas são peças do elenco que serão usadas e muito necessárias em toda a temporada de 2013. Os titulares entram em campo na 4ª rodada (dia 31). Ou seja, dá tempo de salvar o primeiro turno, e os principais jogadores ganham mais 10 dias para fazer uma pré-temporada decente. Outra vantagem, é dar oportunidade aos jovens da base, que precisam ganhar ritmo de jogo no time profissional.

Por isso é que o Coritiba colocou um time tão ruim em campo. Na verdade, um time nada pior que o que sofreu para ganhar o tri-campeonato o ano passado, ou o que penou quase caindo no Brasileirão 2012. O time mudou muito com a chegada de Deivid e com a troca de comando técnico. Éverton Ribeiro é uma perda, mas Botinelli pode substituí-lo à altura. Reforço mesmo, só o Alex. Mas manter a base de 2012 perdendo só um titular é um feito, provavelmente só comparável ao do time da década de 1970.

Desse modo, o zero a zero fora de casa foi um bom resultado, exceto pelo fato de que o Coritiba poderia ter ganho o jogo se o pênalti sofrido por Djair no final do primeiro tempo fosse batido por alguém que sabe fazer isso. Rui Díaz cobrou bisonhamente, porque também foi mal o jogo todo. E na primeira oportunidade que teve para começar jogando, mostrou que não é o “Messi peruano”, e sim um candidato a pior contratação da história do Coritiba.

Fora o Rui Díaz entrou o time que devia jogar mesmo. A contusão de Rafael Lucas mostrou o acerto de poupar titulares. O rapaz se machucou sozinho, pisando de mau jeito e torcendo o joelho. Deve ficar um bom tempo de fora, o que é uma pena. Em seu lugar entrou Rafael Silva, o melhor jogador em campo. Outro que se machucou é o zagueiro Bonfim, dando espaço para Wiliam Rodrigues entrar pela primeira vez entre os profissionais. Outro que também estreou como profissional foi Zé Rafael, que substituiu Rui Díaz, e mostrou um ótimo futebol.

Mas acho que a melhor surpresa positiva foi Djair, que mostrou que tem ótima chegada na frente. Foi o jagador que levou mais perigo ao gol do Fantasma. E era um volante de marcação, que vai mostrando que pode disputar uma posição de segundo volante dando boa qualidade na saída de bola. Hoje o Coritiba não tem o dono desta posição, que foi exercida com mais qualidade por Tcheco ano passado.

O resultado do time B do Coritiba em Ponta Grossa confirma que o clube é favorito para vencer o campeonato. O mau resultado do Atlético em casa (na verdade o time segue sem casa por todo o ano) mostra que o Atlético é mesmo uma incógnita para este estadual. E os resultados e Paraná e Londrina, os líderes ao final da primeira rodada, mostram que são os clubes com mais força neste início de campeonato – somando-se ao forte Arapongas, campeão do interior em 2012. Tudo mais ou menos como previu a ótima análise do Napoleão de Almeida. Mais ou menos a mesma análise foi feita pelo blog Carta na Manga, que aliás tem uma ótima série com análises de todos os estaduais.

Bem, acho que é isso.

Ao contrário dos dois anos anteriores, não sou mais assinante do PFC. Ou seja, não vou mais acompanhar todos os jogos e escrever sobre cada um, como já fiz com o Brasileirão 2011, o Paranaense 2012 e parte do Brasileirão 2012 (não neste blog). Também significa que vou falar de futebol nesta página, visto que já desisti de atualizar com freqüência o blog específico que tenho sobre o Coritiba, pelo menos por enquanto.

Mas agora sou sócio torcedor do Coritiba, e espero assistir alguns jogos no estádio, o que levará a um tipo de crônica de jogos muito diferente por aqui. Um dos motivos para eu sair da TV e voltar para o estádio é a divisão injusta da verba de televisão, bem explicada pelo Napoleão de Almeida. Outra é que o calendário do futebol brasileiro tem jogos demais, e poucos deles realmente merecem ser vistos.

3 thoughts on “Começou o Campeonato Paranaense 2013

  1. Rodrigo Cardia

    Tuas observações sobre a duração do estadual me fizeram lembrar aquela vez que trocamos ideias em nossos blogs sobre um calendário ideal para o futebol brasileiro, em 2011.

    E esse ano o Brasileirão começa no fim de maio, mesmo tendo a Copa das Confederações: a CBF conseguiu PIORAR o que já estava ruim.

     
  2. Pingback: O primeiro turno do Campeonato Paranaense 2013 | André Egg