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Crítica cultural

Comparando interpretações: Alabamy Bound por Paul Whiteman e sua orquestra, Fletcher Henderson e sua orquestra e Stéphane Grapelli e Django Reinhardt

Isso não é pra vocês não, é pra mim mesmo, que eu queria guardar esses vídeos para pensar umas comparações.

Talvez a coisa mais legal do jazz seja mesmo essa qualidade ótima de pegar um tema meio boboca (os tais standarts) e transformar a partir do arranjo ou da improvisação. A potencialidade de transmutar um tema talvez tenha sido levada ao paroxismo pelos bopers dos anos 1940 (basicamente Charlie Parker, Dizzie Gillespie e Thelonious Monk) que usavam o tema como desculpa para praticamente recompor a música.

Em épocas anteriores Louis Armstrong já vinha se notabilizando por uma interpretação sui generis em que reposiciona totalmente a voz ou trompete solo em relação ao conjunto de jazz hot, provocando também consideráveis modificações. (Estas coisas eu vou ter que por em outro post aqui, que vale muito a pena comparar.)

Mas agora o negócio é comparar interpretações de um mesmo standart por músicos tão diferentes como Paul Whiteman, Fletcher Henderson e Django Reinhardt. O primeiro seria o grande intérprete “autorizado” do jazz, considerado The King of Jazz, a levar em conta o título de um filme que o tinha como atração principal em 1930. Seria o jazz mais, digamos, “quadrado”, ou comportado. Depois vem o rei das orquestras de dança do Harlem dos anos 1920, com uma interpretação mais “negra”, ou talvez se possa dizer “suingada”. Por último, o gênio cigano que de Paris reinterpretava o jazz norte-americano numa versão completamente autoral – impressionante como ele consegue uma síntese rítmico harmônica de toda a orquestra só com um violão, e nisso ele continua insuperável.

Os vídeos estão abaixo. A gravação de Whiteman é de 1924, a de Henderson de 1925, e a de Django de 1937.